sexta-feira, 16 de março de 2018

Sindicato de Docentes com sede em Goiânia/Go - Violência com o direito de trabalhadora grávida

Olá pessoal,

De fato, vivemos um contexto em que a dobra do tempo está invertendo e estamos retroagindo a um passado medonho, distante da ética, da democracia e de diversos valores outros, que ainda vamos, parece, sentir em nossos calos.

MARÇO - MÊS INTERNACIONAL DA MULHER

A postagem de hoje compartilha uma carta-denúncia, em que um sindicato de docentes com sede em Goiânia, tomou uma decisão que no mínimo coloca em dúvida se de fato, a prioridade de um sindicato de trabalhadores na educação superior, é mesmo o trabalhador.

Quem conseguir dormir, que durma. Nós continuaremos aqui, nos fragmentos de tempo possíveis levando a cabo, o possível a finalidade da ampliação do acesso democrático ao conhecimento e às informações.

Segue conteúdo da Carta-Denúncia.





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Goiânia, 14 de março de 2018 

Carta Denúncia 

Quando tudo parece impossível de piorar, em um mês que aproveitamos para reforçar as denúncias de violências praticadas contra a mulher (que não são exclusivas do mês de março), a violência vem de um lugar onde, aparentemente, seria um espaço de proteção para as trabalhadoras. A Associação dos Docentes da UFG, ADUFG, sindicato local, DEMITIU uma trabalhadora que está grávida de sete meses. Vou resumir aqui, em formato de denúncia, este episódio perverso.  

Em dezembro de 2017, Flávia Liara, Fisioterapeuta responsável pela drenagem/massagem, do Espaço Saúde, grávida de cerca de quatro meses, sofreu deslocamento da placenta e precisou se ausentar do trabalho por quatro dias, pois precisava ficar de repouso (o trabalho era realizado em pé). Os dias que precisou faltar, foram descontados pelo sindicato que, além dessa proeza, pressionou a trabalhadora, que estava fragilizada, para arrumar alguém para assumir seu posto (aqui tá resumido, depois vem mais detalhes). 

Em janeiro, deste ano, mandei uma mensagem para uma professora da diretoria  (solicitando que enviasse para toda a diretoria), desabafando a respeito disso. Registrei que, entre outros, este espaço não era uma empresa, que não interessava outras questões ‘trabalhistas’, que a maioria das pessoas sindicalizadas eram mulheres, que era uma violência colocar em risco a vida de uma mãe e de um bebê, que não adiantava defender algumas e violentar outras etc. etc. etc… 

Após essa mensagem, chamaram a profissional e, o presidente do sindicato que se acha empresário e não docente, em reunião sinistra, pressionou-a em uma ação de total covardia e desrespeito. Não contente, fez uma outra reunião para ameaçar todos os terceirizados por conta de outra denúncia que fiz. A resposta do sindicato ao meu e-mail, que exigia a devolução do dinheiro descontado, foi cínica, irônica e pedia uma reunião comigo. As vozes femininas do sindicato não serviram para interferir a favor de uma mulher, aliás, não basta ser mulher, é preciso cuidar e proteger outras mulheres em sua volta, se isso não acontece, de nada adianta ocupar espaços como este e outros. 

Para não expor mais a Flávia, grávida e com a saúde frágil (me sentindo terrivelmente culpada pela violência por ela sofrida), me segurei, não respondi o e-mail e não fui ao encontro da diretoria, também por ter claro que nada se resolveria. Já imaginava que a Flávia, por pura retaliação (pois trata-se de um excelente profissional) seria demitida, pois essas empresas de terceirização, somadas aos espaços que usam deste serviço, são bem  tranquilos para descartar pessoas, no entanto, achava que seria depois dela ter o bebê e cumprir a licença maternidade. 

Ontem, dia 13 de março, Flávia foi chamada na Adufg para assinar a ‘rescisão de contrato’. Sim, a Flávia, uma trabalhadora grávida de sete meses foi mandada embora por um sindicato de docentes de uma universidade pública! Não importa se dentro dessa política cruel de terceirizar e descartar as pessoas isso é ‘legal’! Dentro de um sindicato que defende os direitos de mulheres docentes, não é legal, é imoral! Isso não é uma empresa, trata-se de um lugar que deveria defender trabalhadoras sindicalizadas e todas as outras! Isso é de uma violência sem igual, uma afronta ainda maior por vir de um sindicato! 

Hoje pela manhã, em uma ‘conversa’ que mais parecia um ringue de luta, com o diretor da Adufg, o mesmo, entre outras pérolas, disse que não tem nada a ver com isso, pois a fisioterapeuta Flávia não era funcionária do sindicato. Diante dessa conversa, ou luta livre, percebi que as ações devem ser coletivas e protetoras, no entanto devem ser de denúncia. Começamos por aqui, sem descansar vamos denunciar até mesmo fora do Brasil, pois “Mexeu com uma, mexeu com todas!”… 

Professora Diane Valdez 

(Faculdade de Educação/UFG)
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